UMA ENTREVISTA IMPROVÁVEL?

(Jornal) – O programa está lançado e chegou a hora de explicar aos nossos leitores estas palavras Andarilhas…. Em que contexto se fazem as Andarilhas?

(PA) Num contexto de grandes dificuldades mas também de grande entusiasmo, com alguns apoios, com a mobilização de muitos dos serviços da autarquia, num esforço que é justo sublinhar e a trabalhar para um orçamento zero, já que ainda há despesas a saldar da última edição. Numa lógica de grande racionalização de recursos, de identificação e captação de receitas, criação de parcerias, e com os recursos da biblioteca literalmente divididos entre as diversas áreas da organização e produção das Palavras Andarilhas e os serviços que prestamos todos os dias aos nossos utilizadores.

Este ano as Palavras Andarilhas vão realizar-se entre a Biblioteca Municipal e o Jardim Público, e os ateliers de Verão vão ser dedicados a preparar as produções cenográficas para as Palavras Andarilhas, envolvendo as crianças e os jovens da cidade.

Com problemas súbitos a resolver todos os dias e tentando construir um programa coerente que diga o que as Andarilhas querem dizer sobre o trabalho de leitura que é feito na cidade: duro, difícil mas irremediavelmente apaixonado.

(Jornal) – Não será uma irresponsabilidade, no presente contexto, avançar para a realização de uma atividade com a dimensão das Palavras Andarilhas?

(PA) Considero que é um gesto de profunda Responsabilidade para com a cidade e as centenas de pessoas que um dia passaram pelas Andarilhas e que sairam tocadas pelo que aqui viveram e aprenderam, ou para as que já ouviram falar delas e que ainda não conseguiram vir. Sentido de responsabilidade com aquilo que as Andarilhas representaram para o país: um importantíssimo contributo para a evolução dos conceitos e dos contextos de promoção da leitura em Portugal. Também na narração. É um privilégio poder participar neste projeto.

(Jornal) – Está confiante em que vão conseguir ter os quinhentos participantes para os quais projetaram as Palavras Andarilhas?

(PA) Se isso não acontecer o programa vai ficar amputado, pois não conseguiremos ter uma boa representatividade de registos e abordagens, pois teremos menos narradores, menos oficinas de especialistas. O programa foi feito para se expandir ou diminuir de acordo com a resposta, quer das inscrições, quer dos apoios. O compromisso é criar todas as condições para que o encontro seja financeiramente sustentável.

(Jornal)  Como acha que vai ser a participação da cidade de Beja?

(PA) Não sei qual será. Beja é uma cidade misteriosa. Acredito que o nosso trabalho não é solitário. Fazemos tudo para que não o seja. Quero muito acreditar que as memórias das histórias um dia escutadas na biblioteca, ainda habitam os afetos de muita gente na cidade de Beja. Quero acreditar que os pequenos empresários, perceberão as Andarilhas e também outras atividades que se fazem na cidade, como uma oportunidade de negócio. Quero acreditar que aparecerão casas particulares para acolher alguns convidados.

Todos os dias temos provas desse apoio: as pequenas residenciais que ofereceram preços e quartos ao evento; empresas  que dão géneros para organizar o Mercadinho de Mariana; gente que se vem oferecer para trabalhar. Estamos a mobilizar amigos, contactos, na tentativa de construir uma rede de apoio, para que tudo possa correr bem. Estamos a fazer tudo para que o Jardim se encha dos andarilhos e a cidade saia à rua para se dar a conhecer.

Quais os destaques do programa deste ano que gostaria de fazer?

(PA) O primeiro dia  –  formação de leitores : conceitos e contextos | O segundo dia – A Literatura  : arte para cuidar da Fantasia. |O terceiro dia – Conto: Património, Ferramenta ou Performance.  17 oficinas  dirigidas para a  reflexão, discussão e práticas. Das oficinas, temos 3 que resultarão numa performance no Jardim Público, no último dia. Um trabalho de risco e engenho de criadores locais, envolvendo outros que, durante este ano tão difícil, ajudaram a biblioteca a manter o seu serviço público de acesso à informação e o seu projeto de promoção da leitura.

Destacaria também a oferta de atividades paralelas , gratuitas que criam muitos centros de interesse para que a cidade de Beja possa rumar em direção ao Jardim da Beja. Destaco também um conjunto de exposições que vão ficar na cidade até Setembro, como é o caso das coleções improváveis da Cave da Biblioteca.

(Jornal) Não lhe vou pedir para explicar a associação com o improvável porque é obvia, mas porquê a designação “programa Improvavelmente definitivo” ? E que nomes exatamente?

(PA) É muito improvável eu dar-lhe qualquer nome. Todos os especialistas de diferentes artes que constam no programa são escolhidos naquilo que de melhor, nos parece, podem dar ao encontro. Para mim, todos os que ali estão são importantes e também muitos outros que não constam do programa e que certamente constariam se tivéssemos condições. Só podíamos apresentar o programa dessa forma: dando-lhe margem para se ajustar, durante o próximo mês às confirmações de apoios, brincando com títulos, buscando coerências, tirando partido do engenho e com muito trabalho.

 (Jornal) Que mensagem deixa aos leitores?

A mesma de sempre: que venham, que se comprometam, que trabalhem, que descansem, que se divirtam, que aprendam, que reflitam, que sugiram, que critiquem, mas que estejam connosco. Garantimos uma experiência profissional e humana preciosa , uma vitamina para começar um novo ciclo de trabalho, de bem com a vida.

( Jornal)- Obrigada pelo seu tempo

 ( P.A) – Nós é que agradecemos o vosso interesse e a oportunidade desta conversa.

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One thought on “UMA ENTREVISTA IMPROVÁVEL?

  1. Só a existência de uma Mulher Improvável,
    se entrega àquilo em que acredita,
    nos tempos que correm.
    Só uma Mulher Improvável reage agindo,
    face aos tempos que correm.
    Só uma Mulher improvável acredita que
    plantar sonhos e alimentar a alma
    deve fazer parte da dieta de um ser humano,
    para o manter são e equilibrado,
    apesar dos tempos que correm.
    Só uma Mulher Improvável torna
    o improvável possível de acontecer,
    independentemente dos tempos que correm.

    Um Abraço,
    Bru

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